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‘WandaVision’ faz uma viagem pelo caminho da memória na Marvel Studios

Primeira série do Marvel Studios no Disney+ brinca com paródias de clássicos da TV norte-americana WandaVision” é o projeto escolhido para marcar o retorno do estúdio ao calendário de lançamentos

Tempo de leitura estimado: 4 min

O Universo Cinematográfico Marvel faz seu retorno triunfante ao público com o "WandaVision" . E a nova série de streaming não apenas marca o retorno do MCU após ter ficado fora por mais de um ano, mas também se estabelece como o início do Marvel Studios 'executado na Disney +.“ WandaVision” é estrelado por Elizabeth Olsen e Paul Bettany como favoritos de retorno, Wanda Maximoff / Scarlet Witch e Vision, respectivamente.

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Após meses de espera por parte do público e o surgimento de diversas teorias desde o início da sua exibição, a série WandaVision finalmente começou a entregar respostas ao público no seu quarto episódios. E claro, uma delas envolve justamente onde ela se encaixa no universo da Marvel Studios.

“WandaVision” é o projeto escolhido para marcar simultaneamente o retorno do estúdio ao calendário de lançamentos e a primeira incursão de seu universo de heróis pelo Disney+. Isso porque além da “grande homenagem à história da TV” a série focada nos personagens da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e do Visão (Paul Bettany) também envolve na premissa uma interação muito consciente de formatos já sedimentados no mainstream norte-americano, no caso o do acesso à sitcom pelas tramas rocambolescas dos filmes da marca – que por sua vez já há alguns “capítulos” se assemelham mais e mais ao estilo de uma grande novela bilionária.

O resultado, para a absoluta surpresa de ninguém, é o pastiche. Pelo menos nos dois primeiros episódios lançados esta semana no streaming da Disney, o seriado criado por Jac Schaeffer e dirigido por Matt Shakman é bastante consolidado na ideia de se apropriar do formato envelhecido de clássicos da televisão nacional para canalizar uma narrativa de perturbações consumada desde o primeiro momento pelo espectador. É tirar da nostalgia a raiz de um pretenso normal artificial: embora apareçam desmemoriados e vivendo uma pacata vida secreta, tanto o Visão quanto a Feiticeira Escarlate se encontravam numa posição muito diferente da última vez que foram apresentados ao público, com o primeiro morto em consequência da ação do vilão Thanos e a última segura depois de salvar o mundo junto dos Vingadores durante respectivamente os eventos de “Guerra Infinita” e “Ultimato”.

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Respostas sem dúvida são esperadas a partir desta drástica transição de cenários, mas por ser uma série é um tanto óbvio que “WandaVision” há de aproveitar esta condição como gancho de sua narrativa. Como dito anteriormente, os dois capítulos inaugurais (e o terceiro com outro clássico, segundo aqueles que já tiveram acesso prévio na imprensa) se ensaiam como recriações fiéis de “The Dick Van Dyke Show” e “A Feiticeira” para brincar com a normalidade da relação dos dois heróis, com disrupções ocasionais apontando a incongruência em movimento. Quem se diverte nessa tarefa é Shakman, cuja direção aproveita o resgate da forma antiquada para reforçar estes rompimentos, desde o uso de cores em determinados elementos ao belo momento de tensão com Fred Melamed no final do piloto – além das referências fofas nos “intervalos comerciais”.

O maior acúmulo destes “acenos” no segundo episódio aponta que a tendência é desse desconforto se ampliar entre os protagonistas ao longo da temporada e na mesma progressão temporal das homenagens (os anos 50 e 60 já foram contemplados), mas o fato é que o seriado parece bem mais confortável quando incita incongruências que na revelação gradual da conspiração. Entre os capítulos iniciais, o primeiro se sai razoavelmente melhor por focar na manutenção da recriação para contextualizar o espectador, o qual o próximo já não mantém pela necessidade de forçar uma dualidade de movimentos. A série busca forçar um exercício de paranoia similar ao de “Rua Cloverfield 10” ao deixar o público na dúvida sobre se tal simulacro é de criação externa ou da própria Feiticeira Escarlate, mas no fim o que interessa mesmo é como esta ilusão se fragmenta.

Neste sentido o paralelo mais óbvio é com “Twin Peaks”, embora a fórmula de “WandaVision” beba de outras tantas obras da TV e do cinema que brincam com a metalinguagem da narrativa televisiva tradicional. A problematização do “mistério da temporada” já há tempos deixou de ser tema e tornou-se recurso de narrativa, e o programa tocado por Schaeffer e Shakman aposta nisso como centro gravitacional para dar algum contorno à brincadeira maior de ver dois super-heróis vivendo uma vida de subúrbio em meio a recriações de época.

Os primeiros episódios de “WandaVision” estão disponíveis no Disney+.

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Postado em Jan. 31, 2021, 6:34 p.m.

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