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Você conhece o perfil da economia nacional?

O território e as diferenças no país geram um desafio para definir essa feição econômica do Brasil

Tempo de leitura estimado: 3 min

O Brasil é um país continental com regiões que possuem características econômicas e sociais muito particulares. Uma visão, que na verdade reúne diversos ângulos e perspectivas de observação sobre o tema, está presente em um recentemente mapeamento feito pela Catavento Pesquisas. O Lab Crativo conversou com um dos pesquisadores da instituição, Gustavo Moller. Confira:

O que pode ser dito sobre as empreendimentos criativos e sociais no Brasil por meio das pesquisas da Catavento?

Há algo muito importante sobre a liderança das empresas. A maioria delas é muito mais democrática do que o restante das empresas da economia brasileira. Há muito mais mulheres, negros, pessoas da periferia, LGBTQ+ e jovens ocupando cargos importantes. A maioria das empresas brasileiras têm líderes de 60 anos em média. Já a média dos empreendimentos sociais e criativos é de 41.8 anos. Em relação ao empregos em si, os líderes criativos estão empregando pessoas similares aos grupos aos quais eles pertencem. Existe entrosamento. As redes também são muito importantes. Num certo sentido, o que captamos dos empreendedores é que eles se baseiam muito em redes formais e informais para crescer. É na base do “eu te indico, tu me indicas”, compartilham conselhos e etc.

No que essa pesquisa se diferencia de outras sobre economia criativa?

Estamos sempre muito voltados para saber quantas empresas criativas existem, quantos trabalhadores estão no setor e quanto do PIB representa, o que realmente é importante, mas não é tudo que se pode saber. Uma pesquisa que analisa como é o funcionamento dessas empresas é bastante inédito para a área.

Quais são as principais referências para dados e informações sobre economia criativa no país?

Faço parte de um desses núcleos: o Núcleo de Economia Criativa e Cultura da Universidade do Rio Grande do Sul que oferece uma série de publicações sobre diversos setores da economia criativa, incluindo atlas econômicos brasileiros sobre o tema. Faço parte da Catavento, que vem fazendo bastante a avaliação de impacto econômico de projetos e negócios no Brasil. Há também a Firjan, muito tradicional na área, e há iniciativas no Nordeste que vêm mapeando cadeias específicas de economia criativa. Há o Sebrae que vem caminhando para ser uma referência no setor.

Os ingleses inventaram o termo economia criativa, mas isso não quer dizer que ela não existia no Brasil, correto?

Os ingleses inventaram uma definição e pegamos a definição deles, mas isso não quer dizer que economia criativa não existia antes de estipularem o termo no Reino Unido. O termo define uma linguagem comum entre todos. Isso facilita para falar da mesma coisa e ao fazer trocas, mas é só nesse sentido que gosto do termo. Essa definição muda porque a economia criativa do Reino Unido não é a mesma daqui. A dinâmica, os problemas e as pessoas são completamente diferentes.

Como você segmentaria a economia criativa brasileira?

É difícil caracterizar como uma coisa só porque cada região tem a sua própria. Se você vai ao nordeste, o artesanato está no alto da área, mas já no Rio de Janeiro e em São Paulo, o audiovisual domina. No sul há muitos games e iniciativas dessa faixa da economia criativa mais tecnológica, assim como moda. No norte, o que desponta muito no ramo vem da cultura indígena. A economia criativa brasileira surge da necessidade das pessoas se expressarem dentro do próprio ponto de vista. Mas ela é assim em todo lugar, surge de dentro para fora e não ao contrário.

Esse texto faz parte de uma trilogia sobre um mapeamento, publicado em marços de 2020, sobre empreendedorismo criativo e social. Leias as parte 1 e 2.

Postado em March 4, 2020, 10:53 p.m.

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