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Pesquisa revela panorama do empreendedorismo criativo e social no Brasil

O mapeamento é um dos mais contemporâneos sobre a realidade nacional do setor

Tempo de leitura estimado: 4 min

O British Council, por meio do braço interno conhecido DICE (Developing Inclusive and Creative Economies), lançou a pesquisa “Mapeamento – Empreendedorismo Criativo e Social no Brasil" no início de março de 2020. Desenvolvido pela Catavento, o estudo é uma das abordagens mais recentes sobre a temática no Brasil e se debruça exclusivamente sobre a realidade do país.

Ao todo, a pesquisa analisa respostas de um questionário respondido por 666 empreendimentos de todos os estados do país, com exceção de Tocantins, Acre, Amapá e Roraima. Entre os empreendimentos há três tipos: sociais, criativos e híbridos. Sendo que as capitais abrigam cerca de 70% da entidades entrevistas. A maior concentração de organizações consultadas está em São Paulo, 205; Rio Grande do Sul, 50; Minas Gerais, 46; seguidos do Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal, com 30 empreendimentos cada.

De todo o estudo, o LabCriativo selecionou o ponto das barreiras para o crescimento econômico e a sustentabilidade entre os empreendimentos como destaque. As organizações afirmam que a falta de entendimento sobre os setores da economia criativa e social é um dos maiores entraves entre potenciais financiadores. Já as principais restrições de financiamento são resultado das exigências de demonstração de receita, de modelos de negócios aprimorados e acesso limitado aos investidores. Por ordem de necessidade, os empreendimentos citaram o apoio para alcançar novos clientes e mercados, suporte do governo e assessoria técnica ou consultoria para avançarem.

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Uma das principais intenções do estudo é delinear melhor as características dos empreendimentos por meio de quem os constituem e até mesmo pela metodologia de operação, assim como dados que situem o desenvolvimento do mercado em si na atualidade. Por exemplo, a pesquisa mostrou que o número médio de empregados aumentou em dois funcionários entre 2018 e 2019 nos três segmentos (social, criativo e híbrido).

Um dos pontos mais interessantes do levantamento é a constatação de que as organizações estão empregando um número maior de funcionários LGBTQ+, minorias étnicas e grupos socialmente vulneráveis do que empresas de outros setores, principalmente quando as entidades são mais novas. Exemplo: dos empreendimentos com até um ano de fundação, 21% do contingente é LGBTQ+, 11% possui minorias étnicas e 5% é composto por grupos em desvantagem social. Outro ponto destacado é a contratação maior que a média nacional de jovens abaixo de 25 anos.

ODS

Dentro dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a maior parte dos entrevistados, 44%, abordam a igualdade de gênero, seguidos da educação de qualidade, 43%. A redução de desigualdade ficou em terceiro lugar, 40%. Saúde e Bem-estar obteve 36%. O consumo e produção responsáveis ocupa o quinto lugar, com 32%. O mais representativo a seguir foi Paz, Justiça e Instituições eficazes, com 24%.

“Apesar da incerteza mais ampla na economia brasileira, as expectativas desses empreendimentos sobre o próprio futuro são notadamente positivas. Elas buscam expansão, são dinâmicas e otimistas”, apresenta a sondagem. Tanto que uma média de 60% dos consultados esperam aumentar o volume de negócios por meio de atração de novos clientes. Uma fragilidade revelada é que 44% do empreendimentos não usam nenhum tipo de proteção à propriedade intelectual contra 41% que de fato usam.

Lucro e distribuição

“Ao analisarmos o uso do lucro, os empreendimentos criativos e sociais, quando obtém lucro, tendem a investir primordialmente no próprio negócio. Mesmo assim, deixam espaço para investimentos não lucrativos e distribuem mais para funcionários e beneficiários do que para proprietários e acionistas”, relata a pesquisa. No tocante aos criativos, 35% ampliam a capacidade de produção e 33% criam reservas.

Empreendimento sociais e criativos têm mais lideranças femininas, 50%, mas os híbridos são praticamente idênticos, entre 46% homens e 45% mulheres. Os conselhos administrativos dos empreendimento têm uma média de pessoas da comunidade e beneficiários maior do que acionistas e investidores. Até mesmo o número de funcionários é maior nos conselhos. Já o uso do lucro pelas lideranças masculinas só despontou no quesito criação de reservas. As líderes ficarem à frente na ampliação da capacidade de produção, investimento em desenvolvimento, distribuição financeira e atividades não lucrativas.

Monitoramento

Os empreendimentos avaliados trabalham em uma variedade de setores culturais e criativos, como música, jogos, artesanato e publicidade. Os criativos, 70%, tendem a monitorar mais a mensuração no impacto de desenvolvimento cultural. Os sociais, 65%, priorizam o impacto na comunidade, número de beneficiários e produtos e serviços.

Ao monitorar o próprio tamanho de faturamento, os grupos que os analisam menos são os que menos e o que mais recebem. Até R$ 81 mil, por exemplo, 27% não vistoria o impacto de faturamento. Entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões, 25% também não o faz.

Esse texto faz parte de uma trilogia sobre um mapeamento, publicado em marços de 2020, sobre empreendedorismo criativo e social. Leias as parte 2 e 3.

Postado em March 4, 2020, 5:23 p.m.

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