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A injusta realidade sobre como as pessoas criativas se tornam bem-sucedidas

Tempo de leitura estimado: 8 min

Semana destas fui convidado para um jantar oferecido por um amigo. Dentre os convidados havia pessoas que eu admiro há anos. No meio do jantar me perguntei: "Como foi que cheguei até aqui?"

Durante anos, ouvia pessoas falarem sobre suas amizades influentes e de sucesso, e eu morria de inveja. Parecia-me injusto. Era óbvio que essas pessoas tinham tido sucesso. Elas conheciam as pessoas certas; estavam no lugar certo na hora certa. E tiveram sorte.

Anos depois, viria a descobrir que o sucesso nasce da sorte (acho que nenhuma pessoa em sã consciência pode negá-lo). Mas a sorte, de várias maneiras, pode ser criada - ou pelo menos melhorada.

A verdade é que a vida não é justa. Para que o trabalho criativo se espalhe, você precisa mais do que talento. Você precisa estar exposto nas redes (e rodas) certas. E, por mais injusto que isso possa parecer, é assim que o mundo sempre funcionou.

A boa notícia, porém, é que você tem mais controle sobre isso do que imagina.

Criatividade: Uma Abordagem de Sistemas

O que torna uma pessoa criativa? Obviamente, como seres humanos, todos somos dotados da capacidade de criar. Mas qual é a diferença entre esse tipo de criatividade "com “c minúsculo" e a Criatividade "com C" maiúsculo, que traz mudanças ao mundo, indústrias e deixa um legado para as próximas gerações?

Em seu estudo de décadas sobre criatividade, Mihaly Csikszentmihalyi descreve o que ele chama de “abordagem de sistemas”. Como o trabalho criativo tende a ser subjetivo, ele propõe um modelo que inclui três sistemas. São eles:

O domínio

O campo

O indivíduo

Para que um trabalho seja considerado Criativo (no sentido de oferecer algum tipo de trabalho duradouro do qual mundo se lembrará), ele deve satisfazer as três áreas. Eis como isso funciona.

Primeiro, um indivíduo deve saber dominar seu ofício em um determinado campo (arte, ciência, matemática). A partir daí, essa pessoa deve entregar seu trabalho criativo a um grupo de influenciadores nesse domínio e que são especialistas nas suas respectivas áreas. Finalmente, estes “abridores de portas” decidem se você é digno de entrar neste ramo de domínio.

Essa é a abordagem dos sistemas à criatividade.

E, por mais que eu inicialmente tivesse calafrios com a expressão abridores de portas" ao considerar o que faz o trabalho criativo ter sucesso, quando comecei a ler biografias de artistas, cientistas e músicos famosos, isso fez muito sentido. O talento é apenas parte da equação. O resto é contatos.

Hemingway, Paris e trabalho duradouro

Quando ele era apenas um jovem de vinte e poucos anos, Ernest Hemingway mudou-se de Chicago, Illinois para um bairro pobre de Paris. Ele acabara de voltar de um curto período servindo na Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, e queria seguir a carreira de escritor. Havia apenas um problema: ele não tinha muito contato com outros escritores.

Quem o ensinaria?

Em Chicago, Hemingway conheceu Sherwood Anderson, que o encorajou a se mudar para Paris para conhecer Gertrude Stein, que liderava uma comunidade de escritores, poetas e artistas por lá. Além disso, era mais barato morar em Paris, e Hemingway podia viver modestamente enquanto ainda tinha tempo para viajar e escrever.

Em Paris ele conheceu Stein, além de Ezra Pound, James Joyce e muitos outros que moldariam seu trabalho nos anos à frente. Estes contatos lograram uma conexão com F. Scott Fitzgerald através da Scribner's, a editora que mais tarde publicaria seus romances e mudaria o curso de sua carreira para sempre.

Antes daquela década em Paris, Hemingway era escritor de alguns feitos notáveis, assim como bom jornalista. Mas depois daqueles anos imersos no trabalho criativo junto aos outros, seu nome já era reconhecido.

Devido às conexões obtidas através dessa comunidade, Hemingway tornou-se um dos mais famosos escritores do século XX. É inconcebível que isso pudesse ter acontecido em qualquer outro lugar. Esse lado de Paris às margens do Rio Sena não era assim tão significativo, e sim a rede de contatos. Porque sem ela, o trabalho criativo não perdura.

Sem uma rede de contatos, o trabalho criativo não dura.

Em outras palavras, sem Paris, não há Hemingway. Mas o que isso significa para meros mortais como você e eu?

Encontre sua própria Paris

Estamos fadados ao fracasso se não morarmos no lugar certo, na hora certa?

Claro que não. Mas as redes são importantes, talvez mais do que queremos admitir. O trabalho de Vincent van Gogh amadureceu mais rapidamente quando ele conheceu os impressionistas franceses. E por que isso? Ele agora tinha um grupo que tanto criticavam como validavam seu trabalho.

Quer gostemos ou não, todos precisamos de algum tipo de metas objetivas para que possamos medir nosso trabalho. E embora Van Gogh não tenha vendido muito de sua obra em vida, foi a tenacidade de sua cunhada bem conectada que finalmente levou suas obras ao mercado. De fato, a maior parte da arte que o mundo já viu não surgiu por um único golpe de gênio, mas pelo esforço contínuo de uma comunidade.

Redes. Parcerias. Colaborações criativas. É aí que o trabalho duradouro se origina e é foram criados trabalhos como O Senhor dos Anéis e O Álbum Branco. A criatividade não é uma invenção solitária, mas uma criação colaborativa. E as comunidades criam oportunidades para o trabalho criativo ter sucesso.

Mas como você aplica essa abordagem se não mora em um lugar como Paris, Nova York ou Roma?

Bem, é claro, você pode se mudar. De acordo com Csikszentmihalyi, é mais fácil ir para algum lugar novo do que se tornar mais criativo. Fiz isso oito anos atrás, me mudando do norte de Illinois para Nashville e, sem saber, me no que se fixaria em um centro de criatividade, tecnologia e empreendedorismo. Estou feliz por ter feito.

Mas você também pode deixar de lado suas desculpas e perceber que há uma rede disponível para você agora, onde quer que esteja. Isso pode ocorrer na forma de um grupo on-line ou de uma série de eventos dos quais você participa, talvez até um dos quais você se organiza. A verdade é que há conexões em todos os lugares e sempre mais recursos disponíveis para aqueles que desejam procurar.

Um lugar à mesa

Cinco anos atrás, eu decidi fazer algo radical - bem, radical para mim, pelo menos. Abandonei meu cinismo e comecei a procurar blogueiros e autores influentes, pessoas que eu assistia há anos e queria conhecer. Pedi que me encontrassem para tomar um café. E aqui está a parte louca: a maioria deles disse que sim.

Mesmo sendo uma pessoa tímida, conheci esses meus heróis e os acompanhei, fazendo tudo o que podia para ajudá-los. Em alguns casos, isso significava comprar seu café. Em outros, eu os entrevistava no meu pequeno blog, percebendo que mesmo as pessoas mais influentes não se importam em falar sobre si mesmas.

Tentei ser o tipo de pessoa em que eles gostariam de investir - seguindo todos os conselhos que me davam, fazendo tudo o que eles me mandavam, e não questionando uma única palavra. E em algum momento, tive sorte.

É ingênuo dizer que o sucesso não envolve sorte. Claro que sim. Coisas loucas acontecem o tempo todo, coisas que não podemos controlar e que às vezes funcionam a nosso favor. Ao mesmo tempo, a sorte não está completamente fora de seu controle. A sorte pode ser planejada, antecipada. Embora eu não possa dizer quando ou de onde virá, eu sei que quanto mais você se colocar na companhia dos seus inspiradores, maior a probabilidade de que a sorte venha até você.

Portanto, se você quiser se sentar à mesa, o processo pode ser algo assim:

Encontre quem te abra portas. Para Hemingway, este era Sherwood Anderson e, eventualmente, Gertrude Stein. Essas eram as pessoas que possuíam as chaves do reino, e todo grupo influente tem pelo menos um. Encontre alguém conectado às pessoas que você deseja conhecer e seja estratégico em alcançar, tenaz em manter contato e intencional em demonstrar sua competência.

Conecte-se com outras pessoas na rede. Stein apresentou Hemingway a outros escritores em Paris que poderiam ajudá-lo, mas ele também foi implacável em se encontrar com elas. Ele costumava treinar com Ezra Pound regularmente, se preparando e aprendendo a escrever prosa concisa no processo. Se você mostrar que deseja aprender, provavelmente será apresentado a outras pessoas e continuarão investindo em você.

Ajude o maior número de pessoas possível. Isto é crucial. Não é apenas quem você conhece, é quem você ajuda. As pessoas lembram o que você faz por elas muito mais do que lembram como você era inteligente. Apesar de sua reputação como um macho alfa, Hemingway fez isso também - ajudando Stein a publicar seu trabalho, incentivando Fitzgerald quando ele sofria de bloqueios criativos e chamando a atenção para o trabalho da Left Bank.

Obviamente, a jornada de cada pessoa é única, mas agora estou mais certo do que nunca: o sucesso em qualquer campo criativo depende das redes das quais você faz parte. A questão é: você adotará o poder das redes ou continuará pensando que essas pessoas têm apenas sorte?

A sorte chega a todos nós, mas quem tem sucesso é quem a reconhece. Toda história de sucesso é se trata de uma história de comunidade, de rede e a maneira como você encontra a sua é aproveitar as oportunidades que se apresentam - seja em Paris, Chicago ou na sua cidade natal.

Para ler o artigo completo, originalmente escrito por Jeff Goins para Medium.com, clique aqui. https://medium.com/better-marketing/the-unfair-truth-about-how-creative-people-really-succeed-f61afb6f2f09

Postado em May 15, 2020, 8 p.m.

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