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Comunidades se organizam para combater vírus

Por meio da união e criatividade, entidades esclarecem habitantes e sugerem formas de áreas vulneráveis se defenderem do Covid-19

Tempo de leitura estimado: 5 min

A vinda do Covid-19 ergueu uma questão complexa e inerente à realidade brasileira: como as periferias e comunidades brasileiras vão se proteger do vírus se não podem encerrar as atividades do dia a dia devido à situação econômica mais frágil pela qual passam? Há uma série de problemas que a pandemia trouxe para a base da sociedade brasileira.

A CUFA (Central Única das Favelas) levou em consideração a enorme desigualdade social brasileira, a alta taxa de desemprego e a crescente informalidade do trabalho para concluir que a crise gerada pela pandemia apenas se somaria à situação complicada de áreas socialmente vulneráveis.

A entidade com mais de 20 anos de existência desenvolve programas, atividades, produz notícias sobre comunidades e propôs medidas para reduzir o impacto da pandemia nos territórios das favelas brasileiras. Ao não considerar o alcance do Estado suficiente para atender as necessidades de comunidades, diversas iniciativas vêm se desenvolvendo para instruir a população local por parte de moradores, associações de bairro e coletivos.

Essas iniciativas, muitas vezes, brotam da própria comunidade que enxerga a necessidade de informar, alertar e contribuir para o bem-estar regional por meio da criatividade. Há desde carros de som tocando funks e raps para conscientizar os habitantes a faixas com mensagens, vídeos, distribuição de informativos, entre outras ações que exigem da criatividade para que as consequências da pandemia sejam aplacadas nos próximas semanas.

Alemão

Um dos exemplos mais representativos até o momento vem de uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. O Complexo do Alemão criou na última semana um gabinete para gerenciar a crise do coronavírus. Toda a organização é feita por moradores que realizou uma campanha online para obter fundos e comprar produtos essenciais para se proteger da contaminação.

Ao notar um distanciamento do governo para orientar a população, moradores criaram uma estratégia de divulgação com folhetos, caixas de som em postes e até um funk foi composto pelo coletivo Papo Reto para que a comunicação se estabeleça com jovens e demais habitantes.

A própria CUFA lançou um clipe com a participação de artistas para levar conhecimento sobre o contexto do vírus para dentro das comunidades. Saiba como fazer doações para comunidades aqui.

“Sabemos que são necessários bem mais ações e que este conjunto de medidas visa alcançar um público que ficou fora das medidas formais adotadas até aqui. Em particular, os que se encontram economicamente fragilizados e habitantes em territórios de desigualdade. Os números, que nos ajudam a focalizar estas medidas, são: 77 milhões de pessoas estão no cadastro único; 66 milhões de pessoas de renda muito baixa (menos de meio salário mínimo per capita); 41 milhões no bolsa família; 11 milhões com renda não muito superior a meio salário mínimo”, analisou a entidade em pronunciamento.

As medidas apresentadas pela entidade foram arquitetadas para poupar o SUS de um colapso, uma vez que a projeção de infectados quebraria o sistema de saúde ainda em abril de 2020. Entretanto, a CUFA considera as ações propostas como algo humanitário e ético porque o impacto econômico causado nas regiões menos favorecidas não seria trivial.

Confira as indicações apontadas pela CUFA como formas de auxiliar no período de quarentena e ascensão do Covid-19 no Brasil:

1 - Distribuição gratuita de água, sabão, álcool 70 graus em gel e água sanitária em quantidade suficiente para cada morador das favelas brasileiras.

2 - Organização em mutirões do Sistema S e das Centrais de abastecimento para a distribuição de alimentos durante os meses de março, abril, maio e junho, meses em que são esperadas muitas pessoas infectadas pelo novo Coronavírus. Essa distribuição de alimentos, principalmente para as famílias que tenham crianças, idosos ou pessoas com maior risco de contraírem a Covid-19, é uma medida humanitária urgente: tanto para manter a alimentação para as crianças que não estarão frequentando a escola, quanto para manter a integridade imunológica das pessoas mais suscetíveis ao vírus.

3 - Aluguel de pousadas ou hotéis para idosos e grupos vulneráveis com estrutura para repouso. Nas favelas, na maioria dos lares, não há possibilidade de isolamento, o que compromete a saúde de todos.

4 - Parceria com agências locadoras de veículos ou com operadores de transportes de passageiros (vans e ônibus) para a locomoção imediata de pessoas infectadas para centros de saúde, quando houver indicação médica.

5 - Instituição do Programa de Renda mínima para as famílias já inscritas no Cadastro Único e adicional de renda para os cadastrados no Bolsa Família. Aumento do apoio financeiro para famílias já inseridas no programa de tarifas sociais.

6 - Decreto apoiando economicamente as micro e pequenas empresas que tenham autorizado funcionários a permanecerem em casa (sem desconto no pagamento).

7 - Apoio às empresas de água, luz e gás que isentarem o consumidor do pagamento durante 60 dias, para famílias com renda de até 4 salários mínimos.

8 - Incentivo para que a população compre dos pequenos comerciantes, mais frágeis frente aos problemas econômicos advindos da pandemia.

9 - Liberação de pontos de internet junto às empresas de fibra ótica para garantir acesso universal à rede. Isso é primordial para a comunicação de medidas de prevenção e cuidados para a população.

10 - Financiamento para as redes de comunicação próprias de cada favela: rádios comunitárias, sites, jornais impressos ou virtuais e TVs.

11 - Apoio financeiro específico para as famílias das crianças que estarão impedidas de frequentar as creches.

12 - Apoio financeiro específico para famílias com pessoas portadoras de deficiência.

13 - Criar uma rede de comunicação com apoio técnico do Ministério da Saúde para filtrar e fazer verificações, em tempo real, das informações compartilhadas em redes sociais para as favelas.
14 - Ampliação das equipes de saúde da família para prevenir e informar as favelas, para que se evite lotação nos hospitais.

Postado em March 26, 2020, 8:52 a.m.

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