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Aprender diariamente algo novo é a base da educação para um futuro sustentável

Buscar o aprendizado contínuo é cada vez mais necessário em um mundo de evolução tecnológica

Tempo de leitura estimado: 6 min

Com a contínua consolidação dos processos de digitalização, o modelo tradicional de universidades começa a ser questionado. Com a chegada dos 20 anos, as pessoas buscam um diploma para terem oportunidades no mercado de trabalho e alcançarem objetivos. No entanto, a conectividade inseriu nesse contexto educativo a possibilidade de acesso à conteúdo. Aliás, a própria tecnologia pode ultrapassar os modelos de escolas e instituições formadoras devido à alta velocidade de transformações, uma vez que trabalhadores precisam atualizar as próprias habilidades.

O que está em discussão aqui é a necessidade das universidades evoluírem. Afinal, elas devem equipar estudantes com o conhecimento adequado para competir em um mundo “no qual valor será atrelado à interação humana e a habilidade de inventar e interpretar coisas que máquinas não conseguiram”, conforme o futurista inglês Richard Watson.

Ao focarem-se no ensino atualizado, universidades proporcionarão aos estudantes habilidades “à prova de futuro” ao os incentivarem a seguir com processos de aprendizado a um prazo estendido. Não só para que estejam prontos para terem empregos satisfatórios.

Algumas universidades já atuam nesse sentido para que o diploma que emitem ainda tenha valor. Isso traz uma série de desafios e a necessidade de reinvenção. Uma maneira de começar essa transformação poderia ser a superação do tempo convencional para se adquirir um diploma. Em vez de quatro ou cinco anos, o currículo seria adaptado para um processo que pode ser chamado de passaporte.

Nos primeiros anos de bacharelado, alunos “aprenderiam a aprender” ao se envolveram com ferramentas racionais que os acompanhariam para o resto da vida profissional. Por exemplo, física permite observar e racionalizar o mundo, mas também possibilita a criação de modelos que viram teorias ou leis que possibilitam prever relações e acontecimentos.

Já Matemática é a linguagem usada para formular as leis da física e está presente em economia ou ao fazer computações rigorosas que se tornam previsões. As duas disciplinas em questão formam os pilares da educação técnica de universidades.

Acréscimo de habilidades

Avanços recentes em métodos computacionais e da ciência da informática nos levam a repensar a engenharia e a ciência. Computadores ganham cada vez mais relevância na hora de formular questões que requisitam modos radicais de raciocinar. Consequentemente, uma nova mistura de disciplina que envolva programação, estatísticas, ciência computacional e robótica deveriam ser adicionadas aos pilares tradicionais da física e da matemática.

Esses novos pilares permitiriam a contínua tarefa de aprender sobre temas complexos ao longo da vida porque números são a fundação que compõem tudo que é construído. De acordo com esse novo modelo de ensino, um mestrado em ciências seria o primeiro selo atribuído ao processo de aprendizado perpétuo. O currículo de mestrado prepararia estudantes para as carreiras profissionais ao fazer com que foquem-se em adquirir habilidades práticas por meio de projetos.

Esses projeto seriam interligados com técnicas ágeis aprendidas no fazer da atividade ou sob a demanda da ação executada, o que dependeria da natureza do projeto. Se, por exemplo, a ideia é desenvolver um circuito integrado, o certo é fazer um módulo de microeletrônica avançada. As habilidade mais essenciais ao projeto teriam sido aprimoradas antes mesmo do início e as demais seriam nutridas durante o uso imediato em tarefas em um rico contexto de aprendizado.

Em acréscimo à habilidades técnicas, a natureza dos projetos é transversal, social e empreendedora. Envolvem design thinking, tomada de decisões, liderança, planejamento de recursos e o ator de reportar. Não somente as habilidades estariam integradas de fato no currículo, mas seriam muito importantes tê-las no futuro porque são difíceis de serem incorporadas.

Em resumo, o novo diploma se torna um portfólio cumprido de projetos e a lista de habilidade aprendida por módulos. Esse portfólio fica em aberto para ser constantemente atualizado, assim como as tecnologias e suas aplicações trocam mais rápido do que nunca.

Adaptações

Com o diploma conquistado, haveria muitas formas de melhorá-lo com o aprendizado estendido. Se as universidades decidirem se engajar na realização do modelo, eles terão que lidar com muitos desafios que modificariam a noção de espaço e de ação. Primeiro, o número de estudantes seria imprevisível. Se todos os alunos que passaram por universidades se tornassem estudantes novamente, os campus ficariam simplesmente insustentáveis em termos de tamanho e recursos.

Em segundo lugar, estudantes recém-graduados trabalhariam com profissionais experientes nos projetos. Isso mudaria a dinâmica das aulas, talvez para o melhor. O modelo de aprendizado por meio de projetos teria reflexos heterogêneos na realidade do mundo profissional ao preparar alunos para ele.

Soa como algo saído de ficção científica? Em muitos países, estudos feito em meio período é algo muito comum: em média, nas nações que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, 20% do contingente estudantil terceirizava a própria educação. Em muitos países, essa fatia excedia os 40%, como Nova Zelândia e a Suécia.

Nova norma

Se o aprendizado contínuo se tornar uma prioridade e a nova norma, diplomas, assim como passaportes, poderiam ser revalidados periodicamente. A análise de tempos em tempos seria facilmente administrada para todo mundo. Universidades, assim como empregados, saberiam quando precisariam passar por treinamento e reciclagem.

Essa poderia ser uma solução para muitos desafios organizacionais da universidade, mas não para os que aprendem pelo fato da falta de tempo, obrigações familiares e até mesmo fundos serem obstáculos.

Aprender online seria uma opção porque permitiria poupar tempo de locomoção, mas também há limitações. Quem pagaria por algo assim? Esse é o eterno debate: deveria ser essa a responsabilidade do empregador ou do estado? Por exemplo, em Massachusetts, as profissões na área da saúde requerem educação contínua. No entanto, a mesma exigência não existe para advocacia, mas porque a tecnologia é vista como algo que impacta menos nesse segmento.

A Europa possui muitos cenários, mas na França e na Suíça é interessante compará-los. Na França, todo indivíduo tem o direito de aprender ao longo da vida através de um processo personalizado combinado com o trabalho. Já na Suíça, o aprendizado contínuo é uma tarefa pessoal e não do governo. No entanto, colaboradores e o estado encorajam educação contínua.

Um estudo sobre o futuro do trabalho feito pelo McKinsey Global Institute revelou que 89% das companhias na Suécia, em 2015, apoiavam treinamentos seguidos e 44% de todos as empresas com ao menos 10 funcionários fizeram atualizações.

Universidades são fundamentais nessa jornada. No passado, produziram talentos e deram valor à sociedade. Não estamos defendendo a abolição, mas sim convocando uma adaptação de características para que atendam às necessidades modernas.

Texto de Pierra Vandergheynst adaptado do site Aeon, .

Postado em March 18, 2020, 12:28 p.m.

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