×
logo labcriativo
×

A importância de ser curioso

“Por que eu sinto frio e tenho calafrios quando tenho febre?”; reflexões de uma mãe que aprendeu com as perguntas da filha

Tempo de leitura estimado: 4 min

Eu sabia que chegaria o dia em que minha menina aprenderia a falar e inevitavelmente começaria a fazer aquelas perguntas um tanto constrangedoras. As questões em si não me preocupavam. Eu estava, na verdade, ansiosa para saber aonde a curiosidade dela pararia.

O que me preocupava era se eu saberia as respostas ou não.

Na era dos smartphones, isso pode soar como uma preocupação boba. Certamente, as respostas para quase tudo estariam a uma consulta ao Google de distância.

Ainda assim, tive dificuldade em lidar comigo tornando-se a mamãe-sabe-tudo. Então, um dia algo que me foi revelado: eu não preciso ter todas as respostas. Que tipo de exemplo eu daria se eu deixasse minha filha saber que eu também ainda estou aprendendo. Notei o quanto mais eu poderia aprender se olhasse para as coisas que acho que sei de trás para frente de outra perspectiva, a ótica de uma criança. A mente da minha filha é a de uma iniciante – curiosa, aberta à novas ideias, ávida por aprender, e nada ancorada em noções preconcebidas ou conhecimento prévio. Eu decidi que teria uma abordagem para as perguntas que ela me propusesse que seria idêntica a dela.

Uma vez decidido que eu seria mais curiosa, comecei a notar que curiosidade estava ficando mais proeminente no ambiente de trabalho também. Líderes, ao que parece, não precisam ter todas as respostas do mesmo modo. No entanto, precisam ser curiosos.

Curiosa sobre a curiosidade, procurei por respostas e encontrei referências frequentes às palavras de Albert Einstein, “E não tenho um talento especial. Eu sou apenas apaixonado pela curiosidade.” Nós podemos desconfiar da noção de que Einstein não tinha um “talento especial”, mas ele jamais teria resolvido as charadas do universo se não fosse vidrado em curiosidade. Então me deparei com outras aspas de Einstein: “A coisa mais importante é não para de questionar. Curiosidade tem sua própria razão para existir”.

A razão da curiosidade no ambiente de trabalho

Década atrás, o pensador focado em gerência chamado Peter Drucker definiu saber as perguntas certas seriam a raiz de sua filosofia de pensamento estratégico. Muitos líderes atuais adotaram o método de Drucker, ser inteligentemente curioso, porque é uma abordagem cada vez mais latente no mundo que se torna mais e mais complexo.

No livro “Why Curious People Are Destined for the C-Suite”, Warren Berger cita a resposta do CEO da Dell, Michael Dell, ao responder uma pesquisa que perguntava a líderes que tipo de atitude ajudaria empresários a terem sucesso. A resposta? “Eu apostaria em curiosidade.” Dell não é o único a pensar assim. Alan D. Wilson, então CEO da McCormick & Company, respondeu que aqueles que “estão sempre expandindo suas perspectivas e o que sabem – e têm aquela curiosidade natural – são as pessoas que terão sucesso”.

Líderes não precisam saber tudo. De fato, é impossível. As coisas mudam muito rápido e o que funcionou ontem não garante nada amanhã. Disruptivos estão em toda esquina. Se você não é um deles, você terminará sofrendo com os efeitos de quem é um deles. Líderes de hoje em dia são curiosos, e sabem como fazer perguntas que os levam a considerarem novas ideias.

Como podemos desenvolver nossa curiosidade:

Ser mãe me ensinou a como lidar com a curiosidade da minha filha. Me mostrou que líderes em novas funções também precisam aprender o que fazer e a como agir de modo novo e diferente. O que eu acho que funciona melhor é abordar seu novo papel com uma mente curiosa, completamente aberta à ideias frescas e sugestões. Aqui estão algumas maneiras de desenvolver sua curiosidade:

- Aplique o conceito da mente do iniciante: esteja aberto e procure maneiras novas de fazer as coisas.

- Faça perguntas, ouça e observe: procure primeiro entender e não explicar.

- Tente algo novo: pegue uma rota diferente ao ir ao trabalho, leia um livro de um gênero que normalmente evitaria ou vá a uma galeria de arte que geralmente não te interessaria para absorver novos pontos de vista.

- Seja inquisitivo: pergunte a opinião dos outros, colha perspectivas e abordagens. Pessoas fazem coisas de jeitos distintos e há respostas em potencial e soluções para problemas que estão escondidos no modo como pensamos.

Essas são apenas algumas de minhas ideias. Estou interessada em ouvir suas ideias. Como você se mantém curioso?

*Este artigo foi livremente traduzido de Daila Molokhia, gerente de soluções sênior na Harvard Business Publishing Corporate Learning, do site harvardbusiness.org.

Postado em March 2, 2020, 9:30 p.m.

New World, New Skills
Canal

Canal oficial do LabCriativo



Canais
Últimas postagens

Veja também

ONU lança chamada global para criativos no combate ao Coronavírus

As Nações Unidas querem sua ajuda para ampliar a campanha de conscientização da população ao redor do mundo. Com a Organização …

Se o livro é a melhor companhia, imagina 50 mil. E todos de graça.

Amazon disponibilizou catálogo gigantesco para download gratuito durante a quarentena. Enquanto o Brasil ainda avalia estatísticas, estudos e projeções para entender …

Você precisa de um novo modelo de negócios para o século 21

As companhias precisam levar em conta muito mais do que custos e receita. Ao desenvolver um negócio é provável que você …

Pesquisadores da USP criam inovação de baixo custo para enfrentamento da Covid-19

Por meio da Poli, projeto disponibiliza respirador mais barato e feito em menos tempo para abastecer rede de saúde. Um projeto …