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SXSW e Coronavírus: o paradoxo dos eventos de inovação

Um vírus deveria interromper o intercâmbio de ideias na era digital?

Tempo de leitura estimado: 4 min

O coronavírus foi catalogado pela ciência nos anos 1930. De lá para cá, o mundo testemunhou e passou por três eclosões relevantes do vírus que tiveram origem na Ásia. A terceira e atual onda da doença, cujos sintomas são similares ao da gripe comum, é a mais impactante, uma vez que há mais de 92 mil casos confirmados e mais de 3.100 mortes em 73 países do planeta, sendo que o epicentro segue sendo a China.

Mesmo sem a declaração da OMS (Organização Mundial da Saúde) de uma epidemia global, os impactos do vírus saíram da alçada médica para atingir o mercado e influenciar bolsas de todo o mundo. Independentemente da proporção real da contaminação, a esfera econômica assumiu e age como se houvesse uma pandemia.

Segundo o levantamento do site focado em tecnologia ZDNet, o coronavírus afetou diretamente o universo de conferências e ao menos 46 eventos voltados à tecnologia de grande porte foram cancelados, postergados ou então serão realizados online. A estimativa é que, impulsionado pelo cancelamento do Mobile World Congress, o mercado de tech conferências sofra uma perda próxima a R$ 500 milhões em 2020, conforme um texto publicado site VOX.

A Microsoft e o Google cancelaram na segunda-feira (2/3) o MVP Summit e o Cloud Next, respectivamente, que seriam feitos nos EUA. A justificativa apresentada foi o desenvolvimento do coronavírus e as ações devem se tornar virtuais. Google também deixou o I/O, que reuniria 5 mil desenvolvedores de lado, assim como o Facebook com o F8. O festival anual SXSW, realizado em Austin, Texas, foi alvo de vários rumores e houve uma petição assinada por mais de 35 mil pessoas em função do vírus para que fosse cancelado.

A organização do SXSW garante que a feira, que começa semana que vem, irá acontecer mesmo com menos painéis e ausência de empresas, mas isso diminui a relevância do evento como um todo. E o pior, isso acaba gerando um efeito cascata em várias conferências globais que vão se fechando por conta dos avanços de contaminação do coronavírus.

Sociedade do conhecimento

O impacto econômico causado pelos cancelamentos tornou-se concreto. Contudo, em uma sociedade do conhecimento, o impacto começa a afetar a troca de saber. Os cancelamentos afetam o volume de troca de informação. Se um grupo de cinco mil pessoas deixa de comparecer para compartilhar conhecimento há uma queda relevante no volume científico e de possibilidades de ignição de projetos e ideias.

Há tecnologias, como as MOOCS (Massive Open Online Courses), que são grandes ferramentas de compartilhamento de conhecimento. Organizado pelo ProjectHub e LabCriativo, o Dia Mundial da Criatividade, por exemplo, descentraliza a conferência. As pessoas não precisam estar reunidas no mesmo lugar. Todo mundo poder participar da própria cidade pela internet. A situação do coronavírus mostra que podemos estar à beira de uma oportunidade, e não de um problema, no que tange a perspectiva de intercâmbio, porque basta simplesmente digitalizar as conferências.

Por que levar centenas de milhares de pessoas até Austin, no Texas, para participar da SXSW, se você poderia gravar ou transmitir ao vivo para que as pessoas vejam a palestra de casa? Óbvio que existe a experiência, troca humana e movimentação econômica no local, mas do ponto de vista da sustentabilidade não é tão interessante 400 mil pessoas viajando e gastando combustível de avião para verem algo que é conhecimento, ou seja, algo livre e que deveria estar disponível a todo mundo pela tecnologia.

Dentro da visão de mundo em que a tecnologia é suporte para levar conhecimento, o vírus, mesmo com todos os aspectos negativos para a saúde humana, levanta essa a discussão da socialização de conhecimento. Como justificar várias conferências de tecnologia no mundo sendo canceladas e impedindo trocas de saber se a própria tecnologia é um canal de distribuição de informação. Por que não acreditar nesse modelo?

Postado em March 4, 2020, 2:58 p.m.

Lucas Foster
Head of Content

Founder and Head of Content



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