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A primeira foto de um buraco negro é um grande marco para a Ciência

Para fotografar, foi necessário um telescópio do tamanho da Terra

Tempo de leitura estimado: 3 min

Em um evento histórico, uma equipe internacional de cientistas e astrônomos lançou a primeira fotografia de um buraco negro. Desmistificando a ideia de que isso seria impossível, os cientistas criaram um telescópio virtual do tamanho da Terra.

A foto mostra um enorme buraco negro no centro da galáxia Messier 87, localizado a 55 milhões de anos-luz da Terra.

Buracos negros são pontos no espaço onde há tanta gravidade que nem a luz consegue escapar. São extremamente densos devido à incrível quantidade de matéria que é impossível sair de um buraco-negro. Porém, chamá-los de “negros” é um pouco inapropriado. "Em uma espécie de paradoxo da natureza, os buracos negros, que não permitem que a luz escape, são alguns dos objetos mais brilhantes do universo", diz Shep Doeleman, pesquisador sênior do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e diretor do projeto do Telescópio Event Horizon (EHT), que fotografou o buraco negro.

Como seria impossível construir um telescópio físico capaz de tirar a foto, o EHT usou a tecnologia para conectar telescópios ao redor do mundo. Isso criou um telescópio virtual gigante que conseguiu penetrar no buraco negro. O que vemos na foto é, na verdade, a sombra do buraco negro. Este limite do buraco negro é visível graças às emissões de luz do gás extremamente quente, comprimido dentro do buraco.

"Se imersos em uma região brilhante, como um disco de gás incandescente, esperamos que um buraco negro crie uma região escura semelhante a uma sombra – algo previsto pela relatividade geral de Einstein que nunca vimos antes", diz o presidente do Conselho Científico do EHT, Heino Falcke. “Essa sombra, causada pela curvatura gravitacional e captura de luz revela muito sobre a natureza desses objetos fascinantes e nos permite medir a enorme massa do buraco negro de M87.”

O buraco negro de Messier 87 é tão grande que é difícil compreender a escala. Por um lado, é 3 milhões de vezes o tamanho da Terra – maior do que todo o nosso Sistema Solar – e tem uma massa de 6,5 bilhões de vezes mais que o sol. Tentar fotografar algo desse tamanho requeria um esforço cuidadosamente coordenado. Oito observatórios e mais de 60 instituições científicas de 20 países participaram do esforço.

Uma vez que os diferentes telescópios registraram seus dados, as informações foram enviadas ao Instituto Max Planck de Radioastronomia e ao MIT Haystack Observatory para que supercomputadores especiais pudessem combiná-los. A informação foi então renderizada em uma imagem usando um algoritmo criado pela cientista da computação de 29 anos, Dra. Kate Bouman, que começou a criar algoritmos há três anos como Ph.D. estudante no MIT. Agora, professora assistente de computação e ciências matemáticas no Instituto de Tecnologia da Califórnia, ela liderou a equipe que produziu a imagem.

Postado em 13 de Maio de 2019 às 13:00

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