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A inteligência artificial ficará mais inteligente do que nós?

Relatos e pesquisas de Stephen Walking, Elon Musk e Bill Gates nos ajudam a projetar o futuro da AI

Tempo de leitura estimado: 5 min

Não há uma diferença significativa entre a maneira como o cérebro de uma minhoca funciona e como um computador computa. A evolução também implica que não pode haver uma diferença qualitativa entre o cérebro de uma minhoca e o cérebro de um ser humano. Daí advém que os computadores podem, a princípio, imitar a inteligência humana ou até ultrapassá-la. É claramente possível para algo adquirir um grau de inteligência mais elevado do que o dos seus antecessores: evoluímos para sermos mais inteligentes do que os nossos antepassados de aspeto simiesco e Einstein era mais inteligente do que os seus pais.

Se os computadores continuarem obedecendo à Lei de Moore, duplicando a sua velocidade e capacidade de memória de 18 em 18 meses, o resultado será a probabilidade de ultrapassar os humanos em inteligência ao longo dos próximos cem anos. Quando a inteligência artificial se tornar melhor do que os humanos, poderemos enfrentar uma explosão de inteligência. Em última análise, isso resultará em máquinas cuja inteligência supera a nossa em muito mais do que a nossa supera a dos caracóis. Quando isso acontecer, teremos de garantir que os computadores têm objetivos alinhados com os nossos. É tentador rejeitar a noção de máquinas extremamente inteligentes como mera ficção científica, mas isso seria um erro, e potencialmente o nosso maior erro de sempre.

Não podemos prever o que poderemos alcançar quando esta inteligência for ampliada pelas ferramentas que a AI pode fornecer, mas sabemos que os benefícios são enormes. A erradicação de doenças e da pobreza serão possíveis, por exemplo. Porém, devido ao grande potencial da AI, é importante investigar agora os potenciais perigos.

Ainda que as formas primitivas de inteligência artificial desenvolvidas até aqui se tenham revelado muito úteis, as consequências de criar algo que possa ser equivalente ou ultrapassar os humanos. A preocupação é que a IA se reformule a si própria a um ritmo cada vez maior. Os humanos, que se encontram limitados pela evolução biológica lenta, não conseguiriam concorrer e seriam substituídos. E a futura AI poderia desenvolver uma vontade própria, uma vontade que se encontraria em conflito com a nossa.

Felizmente, isto está agora em mudança. Os pioneiros em tecnologia Bill Gates, Steve Wozniak e Elon Musk têm dado eco às preocupações de Stephen Hawking, e uma cultura saudável de avaliação de risco e consciência das implicações sociais está a começar na comunidade da AI. Em janeiro de 2015, Stephen, juntamente com Elon Musk e muitos especialistas em AI, subscreveram uma carta aberta acerca da inteligência artificial, apelando que seja realizada uma investigação séria acerca do seu impacto na sociedade. No passado, Elon Musk preveniu que uma inteligência artificial sobre-humana conseguiria fornecer benefícios incalculáveis, mas se for utilizada imprudentemente terá um efeito adverso na espécie humana.

Desenvolvimentos recentes no avanço da AI incluem um pedido do Parlamento Europeu para que seja redigido um conjunto de regulações que giram a criação de robôs e de inteligência artificial. De um modo algo surpreendente, isso inclui uma forma de personalidade eletrônica, para garantir os direitos e responsabilidades de uma IA mais avançada e mais capaz. Um porta-voz do Parlamento Europeu comentou que, dado que um número crescente de áreas das nossas vidas está a ser cada vez mais afetado por robôs, temos de garantir que os robôs estão e continuarão a estar ao serviço dos humanos.

Por volta de 2025 existirão cerca de trinta megacidades, cada uma delas com mais de dez milhões de habitantes. Com todas essas pessoas a reclamar bens e serviços que lhes sejam entregues sempre que os desejem, poderá a tecnologia ajudar-nos a acompanhar esse desejo de comércio imediato? Os robôs acelerarão decididamente o processo de retalho da Internet.

Professores interativos poderiam ser úteis para a maioria dos cursos massive open online. Poderia ser verdadeiramente entusiasmante, atores digitais que seriam jovens para sempre e que poderiam, deste modo, realizar proezas impossíveis.

Como nos ligamos com o mundo digital é essencial para o progresso que faremos no futuro. Nas cidades mais inteligentes, as casas mais inteligentes estarão equipadas com aparelhos que são tão intuitivos que quase não será necessário esforço para interagir com eles.

Talvez as ferramentas desta nova revolução tecnológica permitam tornar a vida humana melhor. Por exemplo, os investigadores estão a desenvolver AI que ajudará a reverter à paralisia em pessoas com lesões na coluna vertebral. Utilizando implantes de circuitos integrados em silicone e interfaces eletrônicos sem fios entre o cérebro e o corpo, a tecnologia permitiria às pessoas controlarem os movimentos do seu corpo com os seus pensamentos.

Stephen Hawking acreditava que o futuro da comunicação seja interfaces entre o cérebro e os computadores. Há dois caminhos: elétrodos no crânio e implantes. O primeiro é como olhar através de vidro fosco, o segundo é melhor, mas tem o risco de infecção. Se conseguirmos ligar um cérebro humano à Internet, ele terá toda a Wikipédia à sua disposição.

A inteligência é caracterizada pela capacidade de se adaptar à mudança. A inteligência humana é o resultado de gerações de seleção natural daqueles com a capacidade de se adaptarem a circunstâncias alteradas. Não devemos recear a mudança. Temos de fazê-la funcionar a nosso favor.

Temos de levar o ensino para além da discussão teórica de como a AI deve ser e de nos assegurarmos que planejamos como ela será.

Postado em 27 de Dezembro de 2018 às 13:00

Lucas Foster
Labcriativo / Editor

Fundador e CEO do LabCriativo



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