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Criatividade + sensibilidade = criabilidade!

Tempo de leitura estimado: 3 min

Em outubro do ano passado (entre os dias 18 e 21 de outubro), estive na II Semana da Criatividade de Tiradentes (MG)...

Não quero fazer "merchan" (não conheço nenhum dos organizadores), mas preciso falar (gritar): que evento sensacional! Palestras, mini-cursos, ações interativas em espaços abertos, teatros, exposições de design e artesanato, etc., muito legais e instigantes! A curadoria do evento foi genial, viu? Super vale a pena ir nos próximos! O do ano que vem, inclusive, já está marcado (17 a 20 de outubro).

Bom, entre outras atividades muito interessantes, duas palestras me chamaram muito a atenção (pra não dizer que simplesmente me encantaram!).

Este texto aqui hoje é sobre a primeira delas, que foi conduzida pela Julia Duarte (que eu já admirava muito e agora admiro ainda mais) - ela é Diretora de Criação da Box 1824 e Professora da Perestroika SP.

Os temas abordados pela Julia foram criatividade, sensibilidade e um neologismo que ela criou (fruto da soma desses dois conceitos): a criabilidade.

Segundo dados apresentados pela Julia, existe atualmente uma demanda criativa urgente e 50% das empresas que conhecemos hoje não vão mais existir da mesma forma em 2030 (sim, 2030!).

Mas, essa demanda tem se transformado em uma ansiedade criativa cada vez mais intensa e, mesmo em um contexto no qual os profissionais tem sido solicitados (ou, muitas vezes, "pressionados") a inovar e criar o tempo todo, só 25% das pessoas sentem estar exercendo de fato o seu potencial criativo.

Essa frustração generalizada se deve muito a falta de espaço e liberdade que nós mesmo nos damos para vivermos e darmos vazão aos sentimentos que temos em relação a questões do nosso dia-a-dia profissional.

De acordo com a Julia, precisamos criar e sentir o que estivermos criando; seus impactos, as sensações que despertam nas pessoas, os resultados alcançados, etc.... Tudo deve ser sentido, precisamos nos permitir e abrir espaço para nossa sensibilidade para exercermos nossa criatividade de forma mais plena!

Aí, então, Julia, se você me permite, quero adicionar esse outro componente na sua equação: a habilidade de liberarmos nossa criatividade dando importância à nossa sensibilidade. É preciso desenvolver a capacidade e a segurança para ouvirmos a voz dos nossos sentimentos depositar então nossa sensibilidade no que criarmos também. O eventual novo elemento até cabe no neologismo que você criou, Julia: criabilidade = criatividade + sensibilidade + habilidade. rs.

Bem, o fato é que dialogamos pouco sobre o que sentimos em relação ao que criamos no trabalho que executamos; afinal, não fomos educados para sentir as coisas, darmos espaço, valorizar e refletirmos sobre o que sentimos (as crianças, desde pequena, gostam de dançar e cantar, mas vão para a escola ter aulas de matemática e serem doutrinas de que só isso é que é importante).

Se mostrar uma pessoa sensível e que se importa com o sentimento que desperta nas pessoas (através do que produz no trabalho) é interpretado como fraqueza no mundo profissional. Mas, segundo a Julia, isso não deveria ser assim. Afinal, o mesmo produto, serviço, imagem, campanha, etc., pode despertar sentimentos diametralmente divergentes nas pessoas (que os criam e os consomem).

Precisamos então estar atentos aos nossos e também aos sentimentos daqueles que são os nossos chamados "públicos-alvo" ou "personas". Precisamos entender tais sentimentos, não podemos partir do pressuposto que as pessoas captam as coisas do mesmo jeito e têm os mesmos repertórios (as histórias de vida das pessoas, sejam nossos colegas de equipe ou nossos clientes, são muito - MUITO! - diversas).

Então, apesar de sermos doutrinados a sempre encontrar uma racionalidade pra tudo que é da ordem da emoção, não devemos agir assim. Quando precisarmos criar algo, devemos dar espaço para refletir sobre quais sentimentos aquela "criação" nos desperta; pois, como foi dito pela Julia, "somos responsáveis pelo tipo de sentimento que colocamos no mundo, pois iremos atingir os sentimentos de outras pessoas".

Outra coisa que ela mencionou foi que hoje em dia (e cada vez mais), existe, sim, muito ferramental para fomentar a criatividade no espaço de trabalho (design thinking, mind map, etc.).

Mas será que existe espaço para a sensibilidade? Ou precisamos sempre mostrar a racionalidade por trás das nossas ideias? Precisamos sempre nos mostrar firmes e certos sobre o que pensamos ou existe espaço para falar dos sentimentos que uma ideia nos desperta sem ter uma explicação totalmente lógica para elas?

Termino com essas perguntas para deixar algo para refletirmos. Escreverei sobre a outra palestra que me encantou - conduzida pela Bárbara Soalheiro - em breve! :)

Beijos carinhosos, Iara.

Postado em 22 de Janeiro de 2019 às 17:35

Iara Vianna
LabCriativo / Creator



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