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Mês da Consciência Criativa Negra: 10 empreendedores criativos para você conhecer no dia da consciência negra

No mês de novembro comemora-se o dia da consciência no Brasil. Conheça empreendedores que estão se tornando referência no país e no mundo pela criatividade.

Tempo de leitura estimado: 10 min

Dia 20 de novembro é Dia da Consciência Negra no Brasil. A data é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Mas nesse período, normalmente os editoriais e matérias das revistas são tomadas com pautas como preconceito e racismo, importantes de discussão no país. Porém, também precisamos falar além destas pautas. Foi por isso que os irmãos designers João Paulo e Gabriela Vargas criaram, na Serra Gaúcha, um projeto no Instagram: a hashtag #MesdaConscienciaCriativaNegra . O projeto do duo tem como objetivo responder a grande pergunta: "quantos ilustradores, designers, empreendedores, homens e mulheres, negros você conhece"?

"Nós queremos mostrar a criatividade e o empreendedorismo, de negras e negros. Além de mostrar também como a luta pela representatividade está abrindo mais espaços", conta João. Essa questão faz parte do dia a dia dos designers, e trouxe a tona uma série de posts que acontece durante todo o mês de novembro. Aqui no LabCriativo trouxemos 10 dos empreendedores já citados na série.

Criola

#1 Criola

Tainá Lima é uma "artivista" mineira! Designer de moda de formação, começou a grafitar em junho de 2012. Para ela, “O grafite que eu faço apresenta formas e cores que, apesar de serem inofensivas à primeira vista, carregam consigo gritos de resistência que ecoam desde a época da escravidão”. Criola tem sua arte espalhada por diversos muros na cidade de Belo Horizonte, e mais recentemente, em São Paulo onde criou um painel de Nelson Mandela. Gabi recomenda acompanhar os trabalhos da artivista no seu Facebook.

Kamasi Washington

#2 Kamasi Washington

Saxofonista, Kamasi é dito por muitos ser o revolucionário do jazz moderno. "Embaixador do Jazz no século XXI" como diz o "Pitchfork" com o álbum, The Epic com incríveis 2 horas e 53 minutos que não deixam a qualidade musical cair por um momento. Ele e com sua banda de dez músicos, The Epic é aclamado por muitos como um de seus grandes trabalhos. - Para criar o disco, ficamos (ele e a banda principal) enfurnados no estúdio durante um mês, às vezes durante 16 horas por dia, fazendo jams. Saímos daquelas sessões com 190 músicas, quase dois terabites de som. - disse Washington. Trabalhando com nomes como Lauryn Hill, Kendrick Lamar e John Legend, o saxofonista leva em suas composições influências de soul, hip hop, funk, gospel e música clássica.
A dica do João é o álbum "Harmony of Difference" disponível no Spotify!

Yasmin Thayná

#3 Yasmin Thayná

Yasmin é cineasta, diretora e fundadora da Afroflix, curadora da Flupp (Festa Literária das Periferias) e pesquisadora de audiovisual no ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro). Colunista no Huffpost Brasil e na Nexo Dirigiu os filmes “Kbela, o filme”, uma experiência sobre ser mulher e tornar-se negra, “Batalhas”, sobre a primeira vez que teve um espetáculo de funk no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a série Afrotranscendence e, recentemente, a série Política: Modo de Fazer no canal Globo News. A dica da Gabi é assistir ao curta Kbela, selecionado e premiado por festivais no Brasil e na Europa, disponível no site do filme.

Shabaka Hutchings

#4 Shabaka Hutchings

Líder de banda, compositor, saxofonista e um dos nomes do cenário do jazz em Londres, Shabaka tem um currículo de dar inveja. Líder de três bandas: "The Comet is Coming", "Shabaka and the Ancestors" e "Sons of Kemet", o saxofonista já chegou a fazer um festival tocando com as três bandas no mesmo dia. Dos projetos que ele tem, o primeiro que conheci foi da banda "Sons of Kemet - Your Queen is a Reptile", onde o tributo do álbum escrito no nome de cada música, reconhece grandes nomes femininos da história afrodescendente, sendo uma resposta direta à monarquia britânica. A banda é composta por Theon Cross na tuba, e incrívelmente, conta com dois bateristas, Eddie Hick e Tom Skinner que energizam seus ouvidos durante o álbum.
Obviamente a dica do João é o álbum Your Queen is a Reptile, mas recomendo ver os seus outros projetos.

Nicholle Kobi

#5 Nicholle Kobi

Retratando toda a elegância da mulher negra francesa, Nicholle ilustra, com todo seu amor e paixão pela moda, o que é Black Power. Nascida em Kinshasa, Congo, porém crescida em Normandy na França, Nicholle desenha desde criança, porém largou o sonho de ser ilustradora, por seu pai estar no meio de um divórcio e as professoras falarem que não haviam chances no mercado para ela. Nisso, ela começa um novo caminho, estudando finanças, onde ela trabalhou 2 anos em empresas diferentes, e cresceu tão pouco que teve de abandonar o navio. Ela lutava para conquistar algo criativo no meio de seus contratos. Na última empresa que ela trabalhou, sua salvação veio em forma de gravidez, onde ela tirou licença maternidade e no seu tempo livre, voltou a desenhar depois de 10 anos. A mãe de um bebê de 2 anos, no tempo, foi autodidata no design gráfico. Seu primeiro post no Instagram atraiu olhares e bem, hoje ela é referência.
A ilustradora usa sua arte de forma maravilhosa: dar foco para as mulheres negras, mostrando toda sua beleza e elegância aproveitando a vida plenamente.
Siga Nicholle no Instagram @nichollekobi

Noname

#6 Noname

Fatimah Nyeema Warner, mais conhecida pelo seu nome nos palcos Noname, aos seus 26 anos recebe o título de uma das maiores rappers vivas. Crescida pela vizinhança de Bronzeville, em Chicago, Illinois, Noname em sua juventude começou participando de palcos abertos e competições de slam poesia, onde ela ficou em terceiro lugar na competição anual de Chicago "Louder than a Bomb". Com isso ela transformou seu talento e estudos em freestyles de rap com seus amigos, junto com muitos artistas locais como Saba, Chance the Rapper e Mick Jenkins. Entretanto, a música não estava pagando as contas, fazendo com que Noname considerasse sair da cena do rap e ser enfermeira: "Talvez eu concluísse a faculdade de enfermagem e me tornasse uma enfermeira. Essa foi a única outra coisa que eu gostava de fazer." - diz ela - "Eu só consegui pagar meu aluguel fazendo pequenos shows universitários e talvez um bico por US $ 300 aqui e ali." Ela faz a diferença quando faz uma aparição no álbum de Chance the Rapper, Acid Rap, na música Lost. Até que ela lança, na metade de 2016, três anos depois de sua aparição, sua mixtape de estréia, Telephone, em que o impacto foi imediato, se tornando um projeto pra consolidar sua carreira e seu nome na indústria. Se Telephone fala sobre como a Fatimah é uma escritora talentosa, com rimas complexas, umas pitadas de humor, histórias com transições sutis, o seu álbum lançado em 2018, "Room 25" duplica esse sentimento, mostrando rimas ainda mais complexas, com uma Noname muito mais madura e confiante de si mesma, trazendo um álbum impecável.
A dica do João é escutar o show dela no NPR - Tiny Desk, disponível no Youtube.

Adriana Barbosa

#7 Adriana Barbosa

Formada em Gestão de Eventos, pós-graduada em Gestão Cultural, empreendedora e fundadora da Feira Preta, Adriana foi premiada por estar na lista dos 51 negros com menos de 40 anos mais influentes do mundo em 2017, junto com Lázaro Ramos e Thais de Araújo. Antes de se tornar empreendedora, ela trabalhou em rádios, uma gravadora musical e uma produtora de TV porém, depois de alguns meses de desemprego, Adriana passou por momentos díficeis na vida profissional e pessoal, enquanto tentava voltar ao mercado de trabalho. Entretanto, ela experimentou em trabalhar em algo diferente: uma feira de rua. E após trabalhar em brechó, e vender pastel e roupa, Adriana em 2002, frequentava casas noturnas de black music, onde havia uma concentração da atividade no bairro Vila Madalena, que continha uma forte influência da cultura negra e americana. "Todas as baladas tinham um DJ negro. Mas nenhuma tinha um proprietário da nossa cor. Olhava para aquilo e me perguntava: ‘Por que não existe um negócio ligado à cultura negra que tenha os negros como protagonistas?’. Pensando nisso, escolhi a região para abrigar a primeira edição da Feira Preta." - diz Adriana. "A ideia era produzir um evento que reunisse cultura, produtos e serviços sob a estética afro." Gabi recomenda assistir a palestra da Adriana no Day1 da Endeavor, onde conta o começo e os desafios de criar a Feira Preta.

Ingrid Silva

#8 Ingrid Silva

“Eu sempre achei que a dança era um sonho meu e agora eu estou muito feliz de poder compartilhar um pouco da minha vida e do meu mundo com você. A dança realmente mudou a minha vida.” Ingrid é carioca, iniciou o balé aos 8 anos. No ensino médio, ganhou uma bolsa de estudos em 2007 para o Dance Theatre of Harlem School, onde então trilhou uma jornada de conquistas até chegar em 2013 ao Dance Theatre Company (compania que está até hoje, onde é primeira bailarina). Como artista convidada, Ingrid atuou com o Dançando Para Não Dançar (Brasil), Armitage Gone! Dance (EUA), Francesca Harper Project (EUA). Também trabalhou com coreógrafos renomados como Arthur Mitchell, Donald Byrd, Rodrigo Pederneiras e muitos outros. A dança a levou ainda mais longe: foi embaixadora cultural para os Estados Unidos ao dar workshops na Jamaica, em Honduras e em Israel. Atualmente, encabeça o projeto EmpowHerny, plataforma que compartilha e da voz a histórias de mulheres reais que alcançam seus objetivos.
Gabi recomenda acompanhar e prestigiar os passos da Ingrid no seu Instagram ingridsilva e ler a matéria recente que ela participou no NY Times comentando sobre os 200 anos sem sapatilhas com as cores para pele negra.

Kevin Abstract

#9 Kevin Abstract

"Quantas vezes Kevin Abstract necessita fazer um rap sobre ser gay? As vezes que ele quiser." Fala Clifford Simpson, mais conhecido como Kevin Abstract é um rapper americano, diretor e compositor. Abstract é um dos fundadores da boyband/grupo artístico chamado Brockhamptom. Kevin, crescendo junto com o grupo, e com sua expressão descarada sobre sua sexualidade, ele impulsiona a crescente aceitação do hip-hop da comunidade LGBTQ+. Ele pavimenta o caminho para os novos artistas da comunidade LGBTQ+, mas também se espelha em casos antigos da comunidade que ajudaram a impulsionar ainda mais o movimento. Em suas músicas, Abstract deixa claro suas intenções e demonstra suas frustrações sobre ser gay e negro. Em seu projeto solo, American Boyfriend, em qual foi sua estréia, ele canta : "Meu namorado me salvou/Minha mãe é homofóbica/Eu não sai do armário/Eu estou tão claustrofóbico/Eu só quero ajuda mas/Meu melhor amigo é racista." A dica do João é escutar a música JUNKY do Brockhamptom e ler o verso do Kevin na música, e obviamente conhecer Brockhamptom.

Lenna Bahule

#10 Lenna Bahule

Com formação em música clássica e inspirada pela cultura popular do Brasil, Bobby McFerrin e o gospel dos Estados Unidos e Moçambique, Lenna Bahule é cantora nascida na capital de Moçambique, Maputo. Com seu gosto pela música crescendo forte na sua juventude, Lenna apresentava suas músicas pelas noites em Maputo e sempre com um toque da cultura brasileira. Logo, essa conexão se tornou muito forte por uma vinda ao Brasil em 2011, para realizar uma parceria e se integrar na banda chamada Nkhuvu. No ano seguinte, veio ao Brasil para uma prova de música, porém virou uma visita definitiva: "Eu vim para ficar seis meses, vim para fazer a audição, que antecipou e eu perdi. Transferiu para a Colômbia, mas eu não tinha grana pra ir. Quando eu vi, estava sem dinheiro e não tinha como voltar pra casa. Eu sinto que isso foi um chamado. O Brasil é um lugar muito fértil criativamente”, conta ela. Sua voz forte e suave, junto com instrumentais e percussões impecáveis, constroem o álbum chamado Nômade, sendo um trampolim para novas sensações e horizontes. Tudo isso completando com suas origens moçambicanas. A dica do João é escutar a música Kungô no Sofar Sounds disponível no YouTube.

Você pode acompanhar o projeto no Instagram do João Paulo e da Gabriela.

Postado em 20 de Novembro de 2018 às 16:00

Gabriela Oliveira
LabCriativo / Educador



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