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Serviços de streming crescem e aceleram queda dos planos de tv

Após um ano com a maior parte da população presa em casa, não surpreende que as plataformas de streaming tenham disparado em popularidade nos últimos meses

Tempo de leitura estimado: 5 min

Doze meses depois, os números começam a ficar claros: de acordo com pesquisa da Kantar IBOPE Media, 58% dos usuários de internet disseram que viram mais vídeo e TV online em streaming pago durante os períodos de isolamento. O tempo em frente à televisão aumentou 37 minutos diários e cada indivíduo passou cerca de 1h49 por dia assistindo a conteúdos em plataformas de streaming. “Tivemos necessidades geradas pela pandemia. O distanciamento social e a procura por novas formas de lazer indoor levaram as pessoas a experimentar mais e a encontrar na tecnologia a solução para alguns dos impasses do momento, incluindo outras formas de se divertir e de compartilhar momentos com outras pessoas, mesmo que à distância”, pontua Arthur Bernardo Neto, diretor de desenvolvimento de negócios para media owners da Kantar IBOPE Media.

Netflix e Globoplay já superaram o número de assinantes da TV por assinatura. Segundo dados da Anatel de junho de 2020, a TV paga contava com 15,2 milhões de assinantes. Carolina Vargas, CEO da agência Stenna, faz uma previsão ousada sobre o mercado televisivo. “O futuro da TV paga é a reinvenção no modelo de entrega para o streaming. Com a queda nas receitas de publicidade, o futuro aponta para a entrega em plataforma. Não haverá o fim da televisão como a conhecemos, mas o modelo de entrega deve mudar. Não vejo o brasileiro sem televisão, ela une as pessoas.”

Entre os entrevistados da NZN Intelligence, 51% se atraiu pelo valor para fazer uma assinatura neste período, enquanto 33% buscava entretenimento. Para 30% dos participantes, estar mais tempo em casa por causa do distanciamento social foi fator determinante para a assinatura.

No cenário global de consumo de entretenimento durante a pandemia, o relatório da MPA (Motion Pictures Association) mostra que houve aumento de 26% na assinatura de plataformas, o que corresponde a 232 milhões de novas contas. O total de assinaturas globais chegou a 1,1 bilhão em 2020. O aumento na receita foi de 34%, com arrecadação de US$ 14,3 bilhões.

Forte consumidor de conteúdo digital, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de assinantes da Netflix em todo o mundo. A plataforma, que atingiu a marca de 200 milhões de assinaturas no fim de 2020 – com crescimento recorde de 37 milhões de novos usuários durante o ano passado -, conta com 17,9 milhões de usuários ativos no Brasil, de acordo com estimativa da empresa de redes virtuais privada Comparitech. A receita estimada para o segundo trimestre de 2020 no país era de US$ 432 milhões. A Netflix não fornece dados segmentados da empresa e não aceitou participar desta reportagem.

De olho no público brasileiro, o Paramount+ investiu na reformulação de sua plataforma por aqui ao mesmo tempo em que nos Estados Unidos. A nova versão chegou ao mercado no início do mês, apostando no catálogo de cem anos de história do icônico estúdio Paramount e no peso dos conteúdos do canal norte-americano CBS. “O Brasil está entre os cinco maiores mercados de ‘video on demand’ no mundo inteiro. Queremos quintuplicar a base de clientes que temos hoje. A festa do streaming está aí para ser celebrada, consumida. Não queremos só participar, queremos ser protagonistas”, afirma Mauricio Kotait, gerente-geral da ViacomCBS no Brasil.

Há quem pense que o maior streaming em números de assinantes no Brasil é a Netflix, pioneira na prestação do serviço no país. Mas o Globoplay supera a base de clientes em cerca de três milhões, acumulando mais de 20 milhões de assinantes do serviço. Nascida com o objetivo inicial de ampliar o alcance da grade linear da TV Globo, a plataforma ganhou vida própria, investiu em conteúdo original e agora faz o caminho inverso, com exibição de suas produções na TV aberta.

No primeiro semestre de 2020, houve aumento de mais de 145% na base de assinantes comparado com o mesmo período de 2019. Entre janeiro e dezembro de 2020, observou aumento em horas assistidas de séries (336%) e filmes (403%). Para Ana Carolina Lima, head de conteúdo do Globoplay, o diferencial é conhecer o público melhor do que os rivais. “Conhecer o mercado, produzir conteúdos para brasileiros e falar com o consumidor [são os pontos principais], sendo que nesses dois últimos fatores o Globoplay soma forças com a Globo e se destaca.”

O cenário é animador, mas ainda há muito a conquistar. De acordo com dados da Comscore de dezembro de 2020, cerca de 120 milhões de pessoas estão conectadas a internet no país, consumindo conteúdo online. Uma fatia de mais de 90 milhões de brasileiros ainda não conta com acesso a internet de qualidade, o que atrasa o crescimento ainda maior que as plataformas poderiam ter por aqui.

Pedro Oliveira, cofundador da Outfield Consulting, acredita que o cenário mudará em um futuro próximo. “Não tem mais volta. Já passamos da barreira de experimentarem, gostarem e se disporem a pagar pelo entretenimento. O Brasil tem menos infraestrutura do que Estados Unidos, Europa e Ásia, mas a população se engaja tanto quanto. Se tiver evolução na infraestrutura de internet e maior penetração de smartphones, vamos crescer mais ainda”, avalia.

Ainda não sabemos se o boom na migração para o streaming é definitivo ou simplesmente motivado pelo fechamento dos cinemas e a escassez de outras ofertas de entretenimento, como shows e peças de teatro. Mas Pedro Oliveira aponta que, nesse período, o brasileiro pôde perceber que a conta é mais vantajosa com streaming. “Hoje, no Brasil, a assinatura das plataformas gira em torno de R$ 30. Por ano, R$ 360 para ter acervo de filmes e séries para toda a família. Quanto uma família com quatro pessoas gasta no cinema? Uma única ida não sai por menos de R$ 150, com ingressos, alimentação e transporte. É um trade off para o consumidor que é muito óbvio colocando no papel.”

Postado em May 31, 2021, 9:53 p.m.

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