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Você precisa de um novo modelo de negócios para o século 21

As companhias precisam levar em conta muito mais do que custos e receita

Tempo de leitura estimado: 5 min

Ao desenvolver um negócio é provável que você já tenha se deparado com algum modelo que estipule uma método de fazê-lo. Uma ferramenta excelente para se orientar é a dos nove elementos: segmentos de consumo, propostas, canais, relação com o consumidor, receita, recursos, atividades, parcerias e custos. De modo simplificado, descrevem o que acontece dentro de um negócio.

Ainda assim, essa visão possui limites. O modelo em si não captura a interconectividade e a complexidade de ecossistemas aos quais os empreendimentos estão inerentemente ligados hoje em dia. Está mais do que na hora de reconhecer que é necessário uma atualização, que defina sucesso nos negócios além do valores medidos entre receita e custos.

Esse update de modelos de negócio precisa manter-se preso a uma raiz que resume o que realmente importa:

1 – Propósito

2 – Governança

3 – Comunidade

4 – Planeta

Do lucro ao propósito

Todo e qualquer negócio existe por uma razão. Propósito é a fundação de como um negócio opera, serve de mapa para todas as decisões mais difíceis que a gerência tem que fazer porque as pessoas querem comprar o porquê a empresa faz aquilo e não o que a empresa faz.

Um propósito forte inspira, atrai e engaja tanto os consumidores quanto os empregados. É como uma bússola que guia a moral para o negócio. Em 2014, o CEO da cadeia de farmácias norte-americanas CVS, Larry Merlo, se distanciou de bilhões de dólares em receita quando tomou a decisão de para de vender tabaco porque era algo incompatível com a ideia de ajudar pessoas no caminho para obter saúde.

A autora Marjorie Kelly descreve que o propósito de uma companhia deve ser oferecer condições para uma vida melhor. Na prática, é endossar valores e uma intenção regenerativa como alma da empresa desde o nascimento. Isso gera duas perguntas:

  • Quando você observa seu próprio negócios, qual é o propósito dele?
  • Como seu negócio permite que a vida humana na Terra ganhe melhores condições?

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Da propriedade privada ao compartilhamento próspero

Ao elaborar o próprio negócio, é importante pensar em seu propósito, mas também em como será fundado. Com o financiamento vem a decisão relacionada à governança e posse. Tradicionalmente, o lucro de uma companhia é atribuído ao proprietário: o que é aceito com naturalidade ao considerarmos os riscos de estabelecer, financiar e fomentar um negócio. Mas e os empregados que servem como o sangue do negócio? E os fornecedores que dependem dos clientes para manter uma iniciativa confiável funcionando? E aqueles que desenvolvem cursos online e modelos gratuitos para companhias existirem?

Desigualdade é uma ameaça para uma sociedade que busca florescimento. Com recursos sendo destinados em enorme escala aos donos de ações aliado ao sistema de taxação desiquilibrado, não surpreende que a desigualdade apenas siga crescendo. Os novos modelos de governança são um esforço para corrigir erros do passado, que permitem mais pessoas ganharem do que apenas donos de companhias.

  • Quando você olha para o seu próprio modelo, como está seu negócio ao compartilhando prosperidade com todos que contribuíram com seu sucesso?

Do consumo à compaixão

Um negócio não pode operar em um ambiente sem normas, valores e direitos e o estado contribui para nutrir e manter esse sistema. O estado reforça, por exemplo, direitos de propriedade de ideias por meio de leis de patente e proporciona saúde e educação para que os colaboradores de empresas sejam produtivos. Em retorno, negócios pagam taxas ao governo, ou não.

A economista Mariana Mazzucato declarou que o estado muitas vezes tem ação ainda mais ativa no papel de dar suporte à inovação em empresas privadas. Ela afirma que toda a tecnologia que torna um iPhone algo tão genial, com internet, GPS, touch screen, Inteligência Artificial acionada por voz, foi financiada por um governo. Além do estado, muitas vezes, os colaboradores são deixados de lado na equação de um ecossistema de trabalho. Empregados são cruciais.

  • Quando você olha para seu modelo de negócio, como ele está atuando para contribuir com a sociedade e a comunidade em que está inserido?

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De práticas lineares para práticas regenerativas circulares

O planeta e a natureza foram considerados algo apartado dos negócios, mas uma nova perspectiva está começando a tomar espaço: a de que nós todos, incluindo companhias, estamos integrado com o nosso ecossistema e que iremos nos desenvolver ou perecer mediante o bem estar da Terra. Ao pensar em sustentabilidade como motivação para criar um mundo melhor, algo fica faltando. É preciso operar a partir da necessidade intrínseca de causar o bem e não só no meio ambiente.

No livro da economista renegada Kate Raworth, chamado “Doughnut Economics”, há a sugestão de que negócios precisam dar um passo além, ou seja, têm que se distanciar de práticas extrativistas para ultrapassar a sustentabilidade e instaurar um modelo regenerativo. Como já excedemos inúmeras vezes os limites ambientais, é imperativo: Nós temos que começar a reverte o dano causado.

  • Quando você olha seu negócio, que tido desempenho ele possui ao contribuir com métodos efetivos para ajudar o ecossistema?

Impacto

Um negócio geralmente tem seu sucesso constatado na relação entre custos e receita. Hoje, negócios também precisam levar em conta o impacto regenerativo que causam. Isto é, na equação o elemento de contribuição positiva precisa estar no centro das questões. Para muitas companhias, esse é um terreno completamente novo.

Talvez muitas iniciativas se encontrem diante de um dilema. Podem ficar presas entre a sustentação do negócio versus o conceito de futuro regenerativo, mas com esse modelo de negócio atualizado, esperamos que sirva de combustível para causar reais mudanças.

Leia o texto original aqui.

Postado em April 1, 2020, 9:49 a.m.

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