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O ecossistema é verde e amarelo! O Ifood também.

Saiba tudo o que rolou no maior evento de Startups na América Latina, o CASE. Uma semana inteira de conteúdos para você!

Tempo de leitura estimado: 9 min

Aqui estou, morrendo de fome mas me alimentando com conhecimento. Saco vazio não para em pé, já dizia a mamãe. Cá entre nós, quem obedece a mamãe, né? Vamos para mais um painel. Chegou a hora de conhecer a Arena BeBold. A arena é patrocinada pelo programa Oracle Global Startup Ecosystem. Mais uma grande marca presente no evento e contribuindo para o ecossistema das Startup´s. E o painel é justamente sobre esse ecossistema. Os convidados são Daniel Arcoverde, um jovem de 29 anos e que foi eleito pela Forbes com um dos 30 abaixo dos 30 anos mais talentosos do Brasil, co-fundador da Netshow.me e Guilherme Schuch, Country Manager da Visor, plataforma fintech mexicana com negócios no Brasil. A mediação ficou por conta do Lucas Nobeschi, da Oracle.

E o Lucas, começou a mediação querendo entender quais são as diferenças no ecossistema das Startup´s Brasileiras e Mexicanas.de acordo com o modelo de desempenho do Startup Genome Ecosystem Assessment (https://startupgenome.com/), destacando-se as áreas de Funding, talento, densidade e cultura.

O Daniel mostrou-se bastante esperançoso em relação ao ecossistema brasileiro. Apontou o surgimentos dos nossos primeiros unicórnios e uma evolução considerável nos últimos 10 (dez) anos. Visto o próprio CASE que completa 5 anos e que cresceu significativamente nesse período. Juro que fui até a segunda página do google para procurar informações do primeiro CASE, em 2013, e não encontrei. Mas o jovem alertou que ainda estamos construindo a nossa densidade. O estudo The Global Startup Ecosystem, elaborado pela Startup Genome, em parceria com a Global Entrepreneurship Network, mostra que São Paulo está fora das 20 (vinte) cidades com os ecossistemas de startup´s mais desenvolvidos do mundo. Viu o nosso potencial de crescimento?

Já no México o ecossistema se mostra um pouco mais maduro e favorável às startup´s. O país conta com uma regulamentação própria para as empresas e um imposto único. Sentiu inveja? Quem sabe a gente não chega lá. A mão-de-obra é cerca de 20% mais barata que no Brasil, porém conta com uma concorrência muito grande dos EUA. E essa concorrência acaba afastando os talentos do país, o que dificulta o ecossistema. Sem talentos, os projetos tendem a ser menos interessantes o que impacta na captação de recursos. É um ciclo vicioso perigoso e que o México está travando uma batalha.

E, se no México os talentos pensam globalmente, aqui no Brasil precisamos evoluir o nosso mindset. Segundo o Daniel, o nosso mindset ainda é local e isso nos limita bastante. Hoje, é essencial que o empreendedor brasileiro pense globalmente. Ao abrir a sua startup, quais os mercados você quer conquistar? Se a sua resposta está no Brasil, convido-o a repensar sua estratégia. Bora brilhar lá fora também? #ficaadica.

A mamãe tinha razão. É sempre assim. Saco vazio não para em pé. Já não consigo mais capturar os insights do painel. A visão está um pouco turva. E o estômago não para de reclamar. Ainda consigo escutar o Guilherme dizer que o Brasil não é um país para o investidor estrangeiro. A burocracia e o sistema tributário os afastam daqui. Mas isso não é nenhuma novidade. As 15:30 horas vai rolar no palco principal outro painel sobre o ecossistema. Prometo te contar mais. Por hora, preciso comer.

Hora de ter a primeira decepção com o evento. No segundo andar apenas 3 (três) restaurantes para atender toda a comunidade. Detalhe: um deles estava fechado. A alternativa foi encarar uma fila e garantir um hambúrguer de almoço. Vale ressaltar que existiam algumas outras opções no primeiro andar, mesmo assim esperava mais para um evento tão grande. Tenho certeza que os organizadores irão melhorar a estrutura de rango para o próximo ano. Essa foi uma reclamação geral. Barriga cheia, é hora de voltar a ativa.

O presente e o futuro do ecossistema brasileiro. Esse é o painel que vai rolar no palco principal. Amure Pinho, presidente da ABStartup´s é o encarregado de contar um pouco sobre o trabalho que a associação vem fazendo para desenvolver o ecossistema de Startup´s no Brasil. Os caras pensam alto e querem voar o mais longe possível. Prova disso é o projeto que eles desenvolveram com o objetivo de mapear comunidades nos 27 estados brasileiros e identificar ecossistemas empreendedores fora do eixo das grandes capitais. Os caras sacaram que a tendência das grandes comunidades, situadas nas principais capitais do país é aumentar. Porém, o inverso também é verdade, e as comunidades menores, afastadas dos grandes eixos tendem a desaparecer do mapa. Quantas ideias e talentos não se perdem por aí? E a missão da associação é justamente não deixar que isso aconteça. Só para vocês terem ideia, em 2018 foram 30 comunidades e mais de 600 líderes de comunidades mapeados. E se o presente já é animador, o futuro é ainda mais. Para 2019 a ABStartups vai contar com a parceria do Google For Startup´s para fortalecer e desenvolver ainda mais o ecossistema no país.

Para finalizar com chaves de ouro o painel, Amure Pinho convidou pra subir ao palco os líderes das comunidades dos 27 estados brasileiros. Foi lindo e emocionante presenciar as bandeiras dos estados brasileiros , uma a uma, ganhando espaço no palco e formando uma só bandeira, uma só comunidade. A foto que estampa a matéria simboliza esse momento inesquecível do evento. O CASE é, literalmente, um evento de todo o Brasil. Um exemplo para um país que vive dividido. Juntos, sempre seremos mais fortes! Show CASE. Estrelinha para vocês.

Vixi, a bateria do celular está acabando. Preciso recarregá-lo. Consigo encontrar uma mesa e uma tomada disponíveis no espaço do CUBO. Lá, também conheço um engenheiro carioca, o Guilherme Leal, diretor operacional da Renove, startup para construção e reforma de ambientes corporativos, residenciais e comerciais. Lembrei do meu tempo e das minhas dores trabalhando na Galvão Engenharia. Conversamos tempo bastante para as nossas baterias recarregarem e continuarmos com a nossa jornada no evento. Valeu pelo papo Guilherme. Desejo sucesso!

E eu sigo para acompanhar a última palestra do dia no palco principal. Carlos Moyses, CEO do Ifood, um dos mais novos unicórnios brasileiros. O administrador de empresas compartilhou com a gente a história do Ifood e os principais aprendizados da companhia. Você sabia que na primeira fase da startup, criada em 2006, a ideia da food tech ficou parada por 5 (cinco) anos? Somente em 2011, após 3 (três) meses no ar, a ideia virou prioridade de fato. Ter foco e tomar ações rápidas com o mínimo necessário foram os principais aprendizados para seguirem para a segunda fase.

A segunda fase, compreendida entre os anos de 2011 e 2012, foi a fase da euforia. O ifood recebeu um aporte de 3 milhões e iniciou as contratações e construção da equipe. O principal aprendizado foi justamente a importância de se captar recursos. Mas logo no primeiro semestre de 2012, na terceira fase do projeto, eles descobriram que dinheiro acaba rápido. E que não vale a pena crescer acima de qualquer coisa e nem tomar ações em desespero. Outro importante aprendizado: quem toma as decisões devem ser os gestores e não os investidores. A quarta fase foi dolorosa. Sem dinheiro, foi preciso demitir e reduzir custos. O segundo semestre de 2012 foi amargo. Mas trouxe muitos aprendizados. A companhia precisava assumir responsabilidades, seguir a sua estratégia, arrumar a casa, fazer mais com menos, ter pessoas de confiança, criar e simplificar processos e saber que o tempo é o senhor da razão.

E o tempo foi um grande aliado da startup. Com a casa arrumada, equipe e processos simplificados e montados, chegou a hora de colocar em prática o aprendizado da segunda fase, captar grana. E eles mostraram que aprenderam a lição. Receberam um pouco mais de 8 milhões da Movile que se tornou sócia do negócio. A quinta fase, compreendida entre os anos de 2013 e 2014, trouxe maturidade para o Ifood. Metas e indicadores compartilhados fazem parte da rotina de todos os colaboradores. Eles aprenderam a contratar pessoas que fazem a diferença e meritocracia é levado muito a sério na food tech. E aprender sempre está no DNA da companhia. Comunicação, clima e cultura trouxeram o alicerce para a startup escalar.

Hoje, a startup tem na ponta da língua os fatores de crescimento que os levaram a receber mais um aporte em sua história. E dessa vez o aporte foi de 500 milhões de dólares, o maior aporte privado já feito em uma empresa de tecnologia da América Latina. São eles: Fusão e aquisições, pessoas, “mobile first”, loved brand, estratégia e vendas. Alguém tem dúvidas que eles encontraram o caminho? Os números não deixam negar. São mais de 6 milhões de pedidos mensalmente. A cada segundo são 2 pratos de comida entregues. Já ajudaram mais de mil restaurantes a alcançar faturamento de mais de um milhão no Ifood.

Para finalizar, Carlos Moyses ressaltou a importância dos empreendedores entenderem que startup é um projeto de vida. Que nós brasileiros precisamos acreditar mais em nós. Que o mundo online está apenas no começo. Se o fôssemos comparar com uma maratona, estaríamos no máximo, no segundo quilômetro. E que a briga do Ifood é com o fogão que temos em casa. Já pensou numa casa sem fogão? Teve tempo ainda de fazer uma ativação de patrocínio louvável. Um exército de entregadores do Ifood invadiram o palco principal distribuindo cerveja para geral.

Meu pai sempre me contou a história de um dos caras mais ricos da região do triângulo mineiro. Numa ocasião ele foi chamado para participar de um leilão de gado. Os organizadores estavam animados com a presença do milionário. E encheram o cara de mimos. Cerveja, whisky e por aí vai...Ao final do leilão o milionário não havia gastado um tostão. Questionado, disse que após beber não fazia negócios. Sábio milionário. Com uma cerveja gelada na mão me despeço por aqui. O primeiro dia do CASE foi show!

Postado em Dec. 12, 2018, 12:47 p.m.

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