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Diversidade e Inclusão é uma estratégia de negócios, não um programa de RH

Tempo de leitura estimado: 5 min

Diversidade corporativa e inclusão é um tema muito quente. Aparece em quase todos os clientes que visito. Por quê? Com o movimento #metoo, #blacklivesmatter e uma discussão política contínua sobre desigualdade de renda e equidade, as empresas querem fazer parte da conversa.

E há muita pressão. Nos EUA, temos regulamentos rigorosos que proíbem a discriminação no recrutamento, leis estaduais que exigem transparência salarial, sites que classificam as empresas sobre seu tratamento às mulheres como FairyGodBoss, Vault, CareerBliss e Kununu, e uma proliferação de ferramentas para ajudar as empresas a identificar e remover vieses na contratação, avaliação de desempenho, remuneração e promoção.

Tudo isso é uma coisa boa. Muitas pesquisas mostram que equipes diversas têm melhores resultados, empresas com mulheres como membros do conselho superam em desempenho, e empresas com culturas inclusivas tomam melhores decisões. E no mercado de trabalho concorrido de hoje, as empresas têm que expandir seu alcance para atrair bons profissionais.

Mas apesar desse foco e esforço, um problema permanece. Quando o problema é conduzido pelo RH, a agulha se move muito lentamente. Nossa pesquisa constatou que, enquanto mais de 70% das empresas acreditam que estão avançadas nessa área, apenas 11% realmente entendem a profundidade do problema.

Deixe-me sugerir outra abordagem. Considere isso uma estratégia de negócios, não um problema de RH.

A História Schneider-Elétrica

Recentemente me encontrei com Olivier Blum, o CHRO da Schneider-Electric, uma das maiores empresas globais de sistemas de energia do mundo. (A Schneider-Electric gerou mais de US$ 6,7 bilhões em receita no último trimestre e tem mais de 110.000 funcionários em todo o mundo, fabricando sistemas de controle e switches para conservar e gerenciar energia.)

Schneider é uma empresa francesa, e durante anos sua equipe executiva foi composta por cidadãos franceses localizados em Paris. Como Olivier explica em seu artigo no LinkedIn, a empresa tinha um modelo operacional "de uma sede", onde os líderes e suas decisões eram decididamente franceses.

Olivier é um executivo de negócios e passou muitos anos construindo os negócios da empresa na China e na Índia. Lá ele descobriu, o que a maioria de nós agora entende, é que essas economias em rápido crescimento tem culturas muito nacionalistas. Líderes chineses e indianos querem trabalhar para empresas chinesas e indianas; eles querem construir e apoiar a economia de seu próprio país, e eles querem se juntar a uma empresa que facilita seu crescimento pessoal.

Em anos passados, empresas como Schneider, GE e outras tradicionais expatriaram cidadãos americanos ou franceses para essas posições. O CEO Jean-Pascal Tricoire e Olivier perceberam que isso não era mais viável. Como aprendi há anos no meu trabalho com o Scotiabank, a única maneira de construir um negócio local é "tornar-se parte da economia local". Isso significa localizar sua marca, localizar suas ofertas de produtos e localizar seu talento e liderança, com foco em capacitar essas pessoas a tomar decisões locais.

Hoje, como explica Olivier no artigo, Schneider é um "modelo de negócios multi-hub", onde "Queremos que todos em todos os lugares as pessoas tenham a mesma chance de sucesso, independentemente de sua nacionalidade ou localização". No passado, todas as decisões e líderes vieram da França: hoje a empresa delega cada vez mais decisões de vendas, canais e produtos para essas unidades de negócios.

Isso significa que a diversidade e a inclusão são agora fundamentais para a estratégia de Schneider. A empresa não pode mais tolerar uma equipe de liderança "liderada pela França", ou qualquer forma de preconceito, discriminação ou pensamento não inclusivo em sua estratégia. E como resultado, Schneider é agora verdadeiramente o que chamamos de "empreendimento social". Eu amo esse desenho animado – ele realmente impulsiona o ponto.

Por que não temos novas ideias por aqui

Hoje, a empresa tem três centros de liderança global: um na China (Hong Kong), um nos EUA (Boston) e um em Paris. O hub de Paris não é maior ou mais importante do que os outros, e cada um deles está operando agora sob um novo conjunto de direitos de decisão que capacita a tomada de decisões locais entre os cidadãos locais, juntamente com estratégias globais e planos de negócios.

Funciona? Os números contam a história. Esta empresa cresceu 6,2% no primeiro trimestre, seu negócio Ásia-Pacífico cresceu 14%, e a transição da empresa para a gestão de energia digital está acelerando. Não acredito que isso seja possível sem o foco na diversidade como estratégia.

Globalização significa diversidade, inclusão e localização por natureza

Ao visitar empresas ao redor do mundo vejo muitas variações nessa evolução. Empresas como Chevron, Nestlé, Deloitte e IBM fazem isso como parte de seu DNA. Muitos outros estão aprendendo à medida que caminham.

Se você está lutando para mover suas métricas de diversidade, faça uma pergunta simples. D&I é um programa de RH ou é realmente essencial para o seu negócio? Você está pronto para capacitar mulheres, minorias ou cidadãos locais realmente dirigirem sua empresa à medida que ela cresce? Você está pronto para deixar jovens líderes tomarem os reinados de líderes mais velhos, ou capacitar líderes na casa dos 70 anos a voltar para a força de trabalho? (Há muita discriminação etária que temos que pensar também).

Mais importante, seu CEO e outras lideranças entendem que sem esse pool de talentos sua empresa simplesmente não será capaz de competir? Se você ainda não chegou a essa conclusão, então você pode realmente não estar lá ainda. Diversidade e Inclusão é uma das ferramentas de negócios mais poderosas que você tem, leve a sério e você verá a agulha se mover.

Esse texto foi traduzido pela equipe do LabCriativo. Conheça o texto original escrito por JOSH BERSIN no link: https://joshbersin.com/2018/08/diversity-and-inclusion-is-a-business-strategy-not-an-hr-program/

Postado em June 12, 2020, noon

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